Eu queria só um abraço apertado no final do dia. Queria que as coisas voltassem a fazer sentido... Mas será que um dia fizeram? Um sorriso sem fim. Um caminho florido, com canto de pássaros e a leveza do ar. Dançar conforme a música sem me importar com quem está olhando. Te alcançar no final do túnel que sempre parece estar tão longe, mas tão longe, que nem parece que um dia vou conseguir chegar perto.
E eu vou caminhando, com as mãos nos bolsos, o peso nas costas, e o cansaço no olhar. Sem flores ou pássaros, mas com a certeza de que por pior que seja o caminho, um dia eu chego ao final dele. E então tudo terá valido a pena.
Ouvindo a chuva caindo lá fora chega uma saudade sei lá de onde. Olhando de relance a novela...
Acontece que o dia foi ficando pequeno diante de tanta coisa. Tanta coisa para fazer, para pensar, para sentir...
Queria se abrigar daquela enxurrada de sentimentos. Podia também devorar livros e filmes e esquecer sua vida para se perder nos problemas de outra vida. Ou quem sabe ir para um lugar bem longe de algum meio de transporte com um fone no ouvido sem ter lugar certo para aonde ir.
Caminhar sozinha, com aquela mente cheia de pensamentos e idéias estava cada vez mais difícil. Tinha que compartilhar o fardo com alguém. Mas não podia. Sabia que não podia. Ela tinha que se virar sozinha, aguentando o peso ou não. Querendo desistir ou não. Ninguém devia se meter. Ela tinha que fazer o que tivesse que ser sozinha. E se conseguisse, talvez pudesse afinal se libertar.
E no fim do dia não existia mais nada, só a chuva, o vento e um enorme vazio.

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